O CUE obrigatório chega a 1 de janeiro de 2027: a partir dessa data, os tratamentos fitossanitários em Espanha terão de ser registados no caderno digital de exploração (Cuaderno Digital de Explotación, CUE). Muitos agricultores e técnicos veem-no como mais um encargo. A BrioAgro Tech defende o contrário: com o FarmLog, o agricultor regista por WhatsApp e o consultor recebe tudo organizado para cumprir… e para gerir melhor.
Publicado no HortiDaily. Esta entrevista foi publicada na quinta-feira, 1 de outubro de 2026, no HortiDaily.es, assinada por Mauricio García, e no dia seguinte na sua edição internacional em inglês, HortiDaily.com. Reproduzimo-la aqui numa versão alargada, com um resumo, uma tabela de prazos e perguntas frequentes.
O essencial em 30 segundos
- Data-chave: o registo digital dos tratamentos fitossanitários no caderno digital de exploração (CUE) será obrigatório em Espanha a partir de 1 de janeiro de 2027.
- Caderno de campo por WhatsApp: com o FarmLog, o agricultor comunica qualquer operação com uma mensagem, uma fotografia ou um áudio, sem aprender uma nova aplicação.
- Painel do consultor: o técnico revê, completa e valida os registos de todas as suas explorações a partir de um único painel.
- Faturas e guias de remessa: basta uma fotografia; o FarmLog extrai produtos e quantidades e guarda o documento original junto ao registo.
- Ligação à Administração: importa dados do REA (registo geral de explorações agrícolas de Espanha) e prepara a comunicação ao SIEX conforme a integração de cada região. É o primeiro caderno de campo digital operacional nas 17 comunidades autónomas de Espanha.

Do caderno de campo como obrigação a ferramenta de gestão
Com a chegada do caderno digital obrigatório para os tratamentos fitossanitários a 1 de janeiro de 2027, muitos agricultores e técnicos encaram o registo das operações como mais uma carga de trabalho. Na BrioAgro defendem, pelo contrário, que o caderno de campo pode ser uma ferramenta de gestão.
José Luis Bustos, diretor da empresa, resume assim:
«Com o FarmLog, o caderno de campo deixa de ser um encargo e torna-se uma ferramenta de gestão. O agricultor regista qualquer operação com um simples WhatsApp, até por voz, e o consultor tem toda a informação das suas explorações em dia, pronta para supervisionar, documentar e cumprir. Menos tempo a registar dados, mais tempo a aproveitá-los.»
José Luis Bustos, diretor da BrioAgro Tech
Mas prefere que seja quem o usa diariamente a contá-lo. Por isso propõe falar com Enrique Jiménez, engenheiro agrónomo que há mais de dez anos trata dos cadernos de campo dos seus agricultores e que hoje trabalha com o FarmLog.
Entrevista a Enrique Jiménez, engenheiro agrónomo e consultor
Porque é que o caderno de campo é muitas vezes vivido como um encargo?
Porque durante anos foi sobretudo papelada: anotar tratamentos, adubações, regas ou colheitas ao fim do dia, quando o agricultor já está cansado, e muitas vezes dias depois. Com a passagem ao formato digital, muitos receiam ainda mais trabalho em frente a um ecrã. E se o registo só serve para cumprir, é lógico que seja visto como uma obrigação sem qualquer retorno.
O que lhe ocupa mais tempo para manter o caderno de várias explorações?
Reconstruir o que aconteceu. Um agricultor comunica-me uma operação por telefone; outro envia-me uma mensagem; uma fatura chega dias depois. Preciso de saber a que parcela corresponde cada dado e se falta alguma coisa. Quando a informação fica associada à sua exploração, posso centrar a revisão em completar e verificar os registos, com menos pesquisas entre conversas e documentos.
O que muda com o FarmLog?
A abordagem. O FarmLog é um caderno digital, mas não é mais um: a ideia é passar de registar dados a aproveitá-los. Os tratamentos fitossanitários, a fertilização, a rega, as colheitas, o inventário e a documentação ficam associados a cada parcela, com a sua rastreabilidade e o seu histórico, e essa informação é partilhada com o consultor.
«O registo deixa de ser um arquivo que só se abre numa inspeção e passa a ser a base para gerir a exploração.»
Enrique Jiménez, engenheiro agrónomo
Como encaixa o WhatsApp nesta forma de trabalhar?
O agricultor pode comunicar uma operação com uma mensagem, uma fotografia ou um áudio a partir do campo, sem ter de aprender uma nova aplicação. O FarmLog transforma essa informação em registos que podem ser revistos, e a mensagem original fica guardada caso surja alguma dúvida.
Para mim, essa automatização é o que faz a diferença: aproveito um canal que já usava com o agricultor e reduzo enormemente a necessidade de andar atrás dele para, depois, ter de preencher eu esses dados. A revisão continua a ser necessária: se faltar a data, a parcela ou algum pormenor da operação, é preciso completá-lo.
Pode dar um exemplo de como o ajuda no dia a dia?
Um agricultor faz um tratamento numa parcela e envia ao FarmLog um áudio por WhatsApp indicando a data, a parcela, o produto e a quantidade aplicada. Essa informação permite preparar o registo no caderno. Dentro do prazo máximo de 30 dias após a aplicação, revejo o registo e, se faltar algum dado, completamo-lo em conjunto. Quando planeamos o tratamento seguinte, podemos consultar o que foi aplicado antes e quando. Assim, uma comunicação simples a partir do campo transforma-se em informação útil para aconselhar o agricultor.
Quem intervém no caderno, além do agricultor?
Nós, os consultores: revemos registos, prescrevemos tratamentos e fertilização e acompanhamos as explorações. Também podem intervir as equipas técnicas de cooperativas, SAT (sociedades agrárias de transformação) ou empresas de serviços agrícolas, com as respetivas permissões. O FarmLog liga esse trabalho: o agricultor fornece a informação, sobretudo por WhatsApp, e nós organizamo-la e validamo-la a partir do painel técnico.
A Administração também intervém: importam-se dados do REA e prepara-se a comunicação ao SIEX, conforme a integração regional disponível. Assim, o CUE reúne informação para aconselhar, documentar as operações e cumprir os requisitos administrativos, mantendo o agricultor e o seu consultor coordenados.
O que traz ao consultor que trabalha com vários agricultores?
É aí que mais se nota. Posso gerir várias explorações a partir do mesmo painel, rever os registos e acompanhar a campanha de cada agricultor. Antes de uma visita, consulto os trabalhos realizados, a documentação e as questões pendentes, e centro a conversa no que precisa de atenção.
Além disso, quando chegar a altura de preparar os pedidos da PAC de 2027, vou extrair do CUE os registos de que precisar e compará-los com os dados do REA. Ter mantido essa informação organizada e revista durante a campanha já me facilita esse trabalho: reduz as consultas de última hora, evita pedir documentos repetidamente e permite-me dedicar mais tempo ao aconselhamento.
Quando é que o registo se torna informação útil para gerir?
Quando posso voltar a ele para responder a uma pergunta concreta. Por exemplo, que fertilização foi feita antes de uma colheita, quando foi registada a última rega ou que tratamentos constam para uma cultura. Consultar o histórico dá contexto ao aconselhamento. A decisão agronómica continua a exigir critério técnico e conhecimento da exploração e da cultura.
Como ajuda o FarmLog com as faturas e as guias de remessa?

O agricultor pode enviar uma fotografia da fatura ou da guia de remessa, e o FarmLog extrai automaticamente dados como os produtos comprados e as respetivas quantidades. Assim evitamos introduzir toda a informação à mão. Eu verifico se os dados estão corretos e associados à exploração correspondente, para rever as compras e o inventário. Além disso, o documento original fica guardado junto ao registo, para o podermos consultar se surgir alguma dúvida.
O que exige a regulamentação do CUE obrigatório em 2027
O que exige hoje a regulamentação?
As explorações devem manter atualizados os registos exigidos pela regulamentação. Em matéria de fertilização, as explorações obrigadas devem anotar cada aplicação num prazo máximo de um mês. Quanto aos tratamentos fitossanitários, o registo digital será obrigatório a partir de 1 de janeiro de 2027: cada aplicação deverá ser anotada sem demora injustificada e, se for registada inicialmente em papel, deverá ser transferida para formato eletrónico, como regra geral, num prazo máximo de 30 dias após a sua realização.
Para as restantes anotações, o formato digital continua a ser voluntário, salvo obrigação específica. Para o próximo período da PAC, está previsto incorporar também a fertilização e as restantes anotações. O meu conselho é registar as operações à medida que são feitas e rever com o consultor os requisitos e as possíveis exceções aplicáveis.
| Tipo de registo | O que se exige | Prazo |
|---|---|---|
| Tratamentos fitossanitários | Registo digital obrigatório a partir de 1 de janeiro de 2027 | Sem demora injustificada; se anotado em papel, transferir para formato eletrónico num máximo de 30 dias (regra geral) |
| Fertilização (explorações obrigadas) | Anotar cada aplicação | Máximo de um mês |
| Restantes anotações | Formato digital voluntário, salvo obrigação específica | Incorporação prevista no próximo período da PAC |
Mais pormenores no nosso artigo Quando entra em vigor o CUE para os agricultores espanhóis? (em espanhol).
E como ajuda o FarmLog na preparação do caderno digital?
Manter os registos em dia e guardar a respetiva documentação facilita a preparação e a revisão do caderno digital de exploração, o CUE. Agricultor e consultor podem trabalhar sobre a mesma informação, cada um com as suas permissões de acesso. Essa organização ajuda também a preparar os dados que seja necessário comunicar à Administração, de acordo com os procedimentos aplicáveis.
O que vem a seguir e como começar
Para onde pode evoluir a ferramenta?
Para a integração com os sistemas de rega e de monitorização de culturas. A BrioAgro trabalha também com sensores e rega, e parte desses dados pode chegar ao caderno sem que ninguém tenha de os anotar. É uma linha de curto prazo que aponta na mesma direção.
«Menos tempo a registar e mais tempo a decidir e a otimizar recursos.»
Enrique Jiménez, engenheiro agrónomo
O agricultor tem de mudar a sua forma de trabalhar?
Não, e isso é fundamental. O FarmLog adapta-se à forma como o agricultor já comunica e regista a informação, sobretudo por WhatsApp. Não precisa de aprender a usar um programa complexo: pode contar o que fez, como já faz com o seu técnico. Além disso, os agricultores mais à vontade com ferramentas digitais podem aceder ao seu painel para consultar e gerir diretamente a informação da sua exploração.
Como recomendaria começar a um agricultor com pouco tempo?
Com uma rotina simples:
- Importar os dados do REA ou completar a informação básica da exploração.
- Comunicar diariamente, a partir do campo, os trabalhos realizados.
- Rever os registos com o seu técnico.
Não é preciso mudar todos os hábitos de uma vez. Ao fim de algumas semanas, poderá verificar quanto tempo dedica a manter o caderno atualizado, que informação falta e que dúvidas pode resolver consultando o histórico. Assim poderá avaliar a sua utilidade no trabalho diário.
Acesso ao FarmLog

- Técnicos e consultores: admin.farmlog.brioagro.com — gestão de todas as explorações a partir de um único painel. Primeira licença gratuita e desconto por volume.
- Agricultores: farmlog.brioagro.com — o caderno de campo que se preenche sozinho, com 15 dias de teste gratuito.

Perguntas frequentes sobre o CUE e o FarmLog
Desde quando é obrigatório o CUE para os tratamentos fitossanitários?
A partir de 1 de janeiro de 2027. Cada aplicação deve ser anotada sem demora injustificada e, se for registada primeiro em papel, transferida para formato eletrónico, como regra geral, num prazo máximo de 30 dias.
É possível preencher o caderno de campo por WhatsApp?
Sim. Com o FarmLog, o agricultor envia uma mensagem, uma fotografia ou um áudio por WhatsApp; o FarmLog transforma-o em registos do caderno que o consultor revê e valida, e a mensagem original fica guardada.
O FarmLog serve consultores que acompanham várias explorações?
Sim. O painel do consultor reúne todas as explorações e permite rever registos, prescrever tratamentos e fertilização e acompanhar a campanha de cada agricultor. Cooperativas, SAT e empresas de serviços agrícolas também podem trabalhar nele, com as suas permissões.
O FarmLog liga-se ao REA e ao SIEX?
Sim. Importa os dados do REA e prepara a comunicação ao SIEX conforme a integração disponível em cada comunidade autónoma. O FarmLog é o primeiro caderno de campo digital operacional nas 17 comunidades autónomas de Espanha.
Fonte: entrevista publicada no HortiDaily.es a 1 de outubro de 2026 e no HortiDaily.com a 2 de outubro de 2026. Fotografias: © BrioAgro.


